Mariana Abramo é formada em Edificações pelo CEFET e cursou Arquitetura e Urbanismo na UFRJ, além de ser licenciada em Letras (Português / Literaturas) pela UFF, especialista em literatura brasileira pela FESL e mestranda profissional pelo PPGEB da UERJ com a pesquisa “A literatura como ferramenta inclusiva em sala de aula: a perspectiva infantil acerca de alunos com TEA”. Em seu currículo, ainda tem muitos cursos e extensões voltados para a área educacional e editorial, que fez nas instituições mais renomadas do país.
Sua paixão por livros surgiu ainda na infância, época em que começou a escrever suas primeiras histórias. Hoje, Mariana trabalha no mercado editorial e já participou da edição de mais de 70 livros dos mais diversos gêneros, além de ser fundadora do Metaficção Editorial. Entretanto, apenas em 2023 é que teve coragem de começar a publicar seus textos.
Mariana respondeu algumas perguntas para nossa equipe.
Você disse que começou a escrever na infância. Tem lembrança do que você escrevia?
Resposta: Com certeza! Rs. Lembro-me de fazer livros infantis e histórias em quadrinhos nos papéis A4 dobrados ao meio, para virar um A5. Aí eu pedi para minha mãe um grampeador de presente, pois sem grampear o livro desmontava conforme fôssemos passando as páginas, e eu queria que a experiência da leitura fosse agradável. Rs. Isso na infância, eu devia ter uns 7 ou 8 anos. Sempre gostei muito de ler e escrever.
Quando eu tinha uns 12 anos, já na adolescência, escrevi meu primeiro livro. Se eu fechar os olhos ainda consigo ver a capa, era um caderno do Snoopy, escrevi tudo à mão. Pesquisei na Barsa lá de casa sobre a política do café com leite. Quando eu tenho essas lembranças eu acho interessantíssimo, porque ninguém nunca me ensinou a fazer pesquisa pra escrita nem nunca tive outros escritores na família, eu sempre fiz as coisas no feeling e hoje, como editora, tudo se encaixa.
Era um livro sobre a política do café com leite?
Resposta: Não exatamente. Rs. Era um romance proibido, meio que Romeu e Julieta. Mas era ambientado nessa época. Era a filha de um barão do café que se apaixonava por um rapaz de uma família inimiga.
E o que aconteceu com o livro?
Resposta: Perdi o caderno numa mudança. Estava dentro de uma caixa junto com meus diários de adolescência, foi tudo perdido. Eu chorei muito quando me dei conta, liguei pra algumas pessoas, tentando um jeito de talvez recuperar, mas certamente foi pro lixo.
Foi sua única obra?
Resposta: Não! Eu sempre escrevi. Na adolescência, eu fazia muitas experimentações, escrevia contos, crônicas. Fiz um blog literário anônimo e escrevia muito. Depois fiz outros blogs e o último eu tinha bastante visibilidade, as pessoas adoravam quando eu escrevia com a veia cômica. A questão foi que quando entrei para a faculdade de Letras e comecei a me aprofundar na técnica. Eu olhei para os meus textos e achei que era tudo horrível, deletei o blog, deletei um monte de livros e outros textos que eu tinha e me fechei pra escrita, achava que eu não tinha o talento nem nunca ficaria tão boa quanto a Clarice, por exemplo, que é a minha escritora preferida. Fiquei anos sem escrever uma linha.
E como você superou?
Não sei te responder isso, acho que não superei, na verdade. Rs. Trabalhando no mercado editorial, a autocobrança começou a ser maior ainda, como se eu tivesse a obrigação de fazer um texto perfeito porque eu tenho muito conhecimento técnico e porque eu ajudo as pessoas a fazerem os textos delas. Mas acho que a terapia me ajudou a ter a coragem de publicar e não me importar com o que os outros vão dizer ou pensar. Afinal, literatura é arte e o que eu escrevo é a minha forma de expressão.
Obras de Mariana como autora
- Desafio da escrita criativa (no prelo) – Livro técnico sobre escrita;
- Escritos de si (no prelo) – Livro literário de contos;
- Gustavo e a bolha dourada (no prelo) – Livro infantil.


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