Uma dúvida comum que surge ao comprar um livro para uma criança é: “Esse livro é para qual idade?”. É uma indagação comum e válida, pois precisamos entender se o que estamos comprando vai agregar na vida da criança.
Pensando nisso, vamos explicar hoje como classificamos os livros da editora.
A primeira coisa é que não classificamos por idade, pois cada criança tem o seu tempo de desenvolvimento. Por isso, as divisões se dão pelo nível de leitura da criança. Há, sim, uma faixa etária média para quem não está familiarizado com essas questões do desenvolvimento, mas não é uma linha de corte.
Nossas classificações:

Leitor de berço: Convite à leitura compartilhada para fortalecimento de vínculos. (Faixa etária média: 0 a 24 meses)

Pré-leitor: Convite à autonomia para descoberta do objeto-livro; estímulo à fantasia; apresentação de conceitos básicos. (Faixa etária média: 2 a 5 anos)

Leitor iniciante: Convite à alfabetização com temas de socialização e inclusão. (Faixa etária média: 6 a 7 anos)

Leitor em construção: Convite à autonomia da leitura por meio de histórias simples e reflexivas, que trazem à tona conceitos para a vida em sociedade. (Faixa etária média: 8 a 9 anos)

Leitor fluente: Convite à descoberta e reflexão através de textos mais longos, que estimulam o senso crítico e intertextualidade. (Faixa etária média: 10 a 11 anos)
Por que não classificamos os livros por idade?
Assim como falamos no começo do artigo, o primeiro motivo é: cada criança tem o seu tempo de desenvolvimento. Há crianças que são leitores iniciantes com 4 anos e há também leitores iniciantes com 12 anos, por exemplo. Classificar por idade seria dizer que há alguém “avançado” ou “atrasado” no seu ritmo de aquisição da linguagem escrita, e isso não poderia ser mais equivocado.
Classificar por idade também pode limitar a própria criança, no sentido que ela pode achar que se tal livro é para “sua idade”, ela precisa dar conta. E se não dá, pode ficar frustrada. Ou, ao contrário, pode estar interessada em um livro e desistir da leitura por presumir que ainda não está na “faixa etária adequada”, então é muito difícil para ela.
Exemplos de livros infantis do Metaficção Editorial:

O livro “A mágica das palavras” é voltado para leitores iniciantes, pois tem frases curtas e tema sobre socialização, amizade, empatia.

O livro “Gustavo e a bolha dourada” é voltado para leitores em construção, pois tem uma quantidade um pouco maior de texto, com discurso direto através de diálogos e é um convite à reflexão sobre como fazer amizades de forma respeitosa e como somos todos diferentes entre si. Aborda tema fraturante sobre TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Na verdade, todo livro é a descoberta de um novo mundo, e por isso devemos deixar as crianças à vontade para que explorem e explorem de novo. Se uma criança pré-leitora se interessar por um livro com textos, não a negue. Ela descobrirá o livro em muitas camadas, sendo até mais de um livro para aquela criança. Ou seja, primeiro, pode-se inferir o sentido da história através da leitura das imagens; depois outra pessoa pode mediar uma leitura do texto; num terceiro momento, quando ela já adquirir sua autonomia leitora, pode-se voltar ao livro e fazer uma nova descoberta, agora sozinha, fazendo sua própria interpretação e intertextualidades através de seu próprio repertório.
O mundo da leitura é maravilhoso e nunca se esgota.



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